quarta-feira, 5 de agosto de 2009

2009.08.05 - Carreta mata na contramão - Estado de Minas

Sidney Lopes/EM/D.A PRESS20090804224204255 Violência do choque destruiu o caminhão de tijolos, que levava a carga para Itabira

Testemunhas afirmam que veículo fez ultrapassagens perigosas e desceu estrada em alta velocidade antes de perder o controle e atingir caminhoneiro. Motoristas cobram duplicação

Mais um trabalhador pagou com a vida o preço pela morosidade do governo federal em duplicar os 310 quilômetros da BR-381 entre Belo Horizonte e Governador Valadares, no Vale do Aço. O caminhoneiro Roberto Torres Batista, de 34 anos, saiu de madrugada de Antunes, distrito de Igaratinga, no Centro-Oeste de Minas Gerais, onde morava, para levar uma carga de tijolos até Itabira. O rapaz fazia o percurso toda semana e sempre temeu se envolver num acidente na Rodovia da Morte. Ontem, fez sua última viagem: ele passou com seu Mercedes-Benz pela ponte do Rio Engenho Velho, próximo a Nova União, e subiu, vagarosamente, o km 418, onde foi atingido em cheio por uma carreta-tanque de Serra (ES), placa MQR 4556, que descia a estrada embalada, invadiu a contramão e fez um ele na pista.

O choque não teria ocorrido se o Ministério dos Transportes já tivesse atendido a antiga reivindicação de duplicar o trecho e separar as duas pistas. A batida foi tão violenta que a boleia do Mercedes-Benz amassou como se fosse papel. Algumas pessoas disseram ter ouvido o barulho a três quilômetros. O acidente ocorreu às 5h e interrompeu o trânsito, em ambos os sentidos, por quase quatro horas e meia. O engarrafamento somou 20 quilômetros em cada direção. Muitos motoristas que ficaram presos no congestionamento reclamaram da demora, mas, ao chegarem ao local da tragédia, se comoveram ao ver o corpo de Roberto, numa das margens da BR, coberto por um pano branco.

“Morreu de graça, coitado”, lamentou o revendedor Afrânio Fernandes dos Santos, de 40, irmão da vítima. Ele reconheceu o corpo e depositou a morte do ente querido na conta do governo federal: “Passou da hora de a estrada ser duplicada”. Se fosse, a vida do trabalhador teria sido poupada. Testemunhas contam que a carreta-tanque estava vazia e descia a 381 em alta velocidade. “Estava ultrapassando todo mundo. Eu era o terceiro da fila. Na curva, o veículo pegou a canaleta, perdeu o controle e fez um ele na pista. O barulho foi forte e levantou poeira (pó de tijolo) para todo lado”, relatou Hamilton da Luz, um dos caminhoneiros ultrapassados pelo motorista capixaba, Rodrigo Mai Rodrigues, de 23, que não se feriu.

TESTEMUNHAS Hamilton e outros motoristas que presenciaram a batida tentaram socorrer Roberto: “A vítima não morreu na hora. Conversou conosco por alguns minutos. O socorro foi rápido e chegou às 5h40. Mas ele não resistiu”. Mas o trabalho da ambulância não foi em vão, pois dois ajudantes que estavam com Roberto na boleia – Irineu Reis de Oliveira Costa, de 56, e seu filho, Marcos Vinícius, de 15 – ficaram machucados. O mais novo conseguiu pular do Mercedes-Benz antes da colisão e feriu apenas uma das pernas. O pai, porém, não teve a mesma sorte. Ele ficou preso na cabine e foi levado em estado grave ao Hospital de Pronto-Socorro (HPS) João XXIII, na capital.

O motorista da carreta-tanque não quis contar à imprensa sua versão do acidente. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) informou que a obra de duplicação deve começar no segundo semestre de 2010, devendo ficar pronta entre 2013 e 2014. Até lá, muita gente vai arriscar a vida no trecho, como o servidor público José Renato da Silva Batista, de 34, que mora em BH e trabalha em João Monlevade: “Vou a cada dois dias. A 381 é tudo que há de ruim em termos de estrada”.

Fonte: http://www.uai.com.br/EM/html/sessao_18/2009/08/05/interna_noticia,id_sessao=18&id_noticia=109460/interna_noticia.shtml

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