Mais de 20 quilômetros de congestionamento exigiram paciência de quem retornava das férias e teve que passar pela rodovia
Felipe Torres - Repórter - 2/08/2010 - 08:07. Última Atualização: 2/08/2010 - 18:20
FREDERICO HAIKAL
Carreta carregada de amônia tomba na BR-381, perto de Ravena e provoca grande congestionamento
Apenas na madrugada desta segunda-feira (2), por volta da 0h20, o trânsito foi liberado na altura do KM 428 da BR-381, entre o trevo de Caeté e o distrito de Ravena, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). O trecho estava interditado desde a tarde do último sábado (31), quando uma carreta de Santa Bárbara do Oeste (SP), carregada com 24 toneladas de amônia, tombou sobre um Fiat Uno, matando o condutor do carro. As 15h30 desta segunda-feira, a pista voltou a ser interditada para retirada da carga de amônia. Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), por volta das 17h45 o trânsito voltou a ser liberado, mas será novamente fechado às 19h30 para retirada da carreta.
O acidente aconteceu no sentindo BH-Vitória, mas ambas as pistas acabaram fechadas, já que a carga tóxica vazou e se espalhou pela rodovia. As 30 horas de paralisação causaram transtornos a muitos motoristas e passageiros, que presos nos 20 quilômetros de congestionamento, nas duas direções, tiveram que dormir nos veículos e enfrentar dificuldades para conseguir comida e água.
O fluxo decorrente do retorno das férias agravou a situação. Os desvios sugeridos pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), pela estrada que liga Sabará a Caeté ou por Mariana e Ouro Preto, não suportaram o aumento do tráfego pesado e a lentidão tomou conta das rotas alternativas. O caminhoneiro João Francelino, 55 anos, se viu obrigado a estacionar o veículo a cerca de dois quilômetros do local do acidente, no sentido Espírito Santo, e a passar duas noites na boleia. “Não tomei banho, atrasei a entrega da carga de pó de pedra no Vale do Aço e fiquei sem comida. O restaurante do posto mais próximo fechou as portas e, se não fosse a cumplicidade dos companheiros, a fome ia apertar de vez”, relata ele, que ainda disse ter ficado com medo de ser assaltado.
Funcionários do estabelecimento citado por João Francelino, o posto 30 Km, a poucos metros da curva onde tombou a carreta, confirmaram a tensão durante as madrugadas, principalmente na de domingo. Segundo o frentista Fabiano Conrado, famílias inteiras procuraram abrigo, água e alimento, o que superlotou o posto. “Crianças famintas choravam e não podíamos fazer nada. O estoque da nossa lanchonete e restaurante não era suficiente”, descreve. Conrado conta que policiais traziam marmitas para evitar problemas, pois motoristas insistiam em andar pelo asfalto, no escuro, à procura de um outra “parada”, distante quase 8 quilômetros em qualquer direção. “Acho que mais de mil pessoas vieram aqui. Então, fechamos as portas, pois não tínhamos condições de atendê-las”, completa o gerente do restaurante, Carlos Antônio.
Estudantes também foram prejudicados, e a volta às aulas teve de esperar. Ananda Oliveira, 11 anos, até gostou de faltar ao primeiro dia na escola, mas seu pai, Romário Oliveira, se mostrou revoltado com a situação da BR-381. “Moro em Carlos Chagas (Vale do Jequitinhonha) e sempre que passeio em Belo Horizonte vejo acidentes trágicos na rodovia. Está na hora de o governo agir. Nós cansamos desse desleixo”, afirmou o motorista, que viu o planejamento de voltar a sua cidade ontem “parar” no congestionamento da Rodovia da Morte.
Adriana Alves, 39, vai torcer para o patrão da clínica médica onde trabalha aceitar sua justificativa de que ficou “presa” no carro no fim de semana. “Deveria trabalhar hoje (ontem) em Santo Antônio do Amparo (Região Centro-oeste). Porém, perdi a viagem e curti meu domingo dentro de um Palio”, desabafa Adriana. E ela não recomenda a experiência de dormir em um automóvel, sem mantimentos, cansada e com mais três parentes. “Foi horrível. Um absurdo”, resume Adriana.
Fonte: Hoje em Dia
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