Presidente da ADI vislumbra novo tempo para a indústria local
Alex Ferreira
Transporte de cargas siderúrgicas entre Ipatinga e BH é um risco
IPATINGA – Os benefícios da decisão da Usiminas, em montar uma distribuidora de aços na região, são bem maiores do que parece. Esse é o entendimento do presidente da Agência para o Desenvolvimento de Ipatinga (ADI), Elísio Cacildo. Há cerca de 15 anos, quando foi criada, a ADI recebeu entre várias incumbências a missão de trabalhar em prol de uma distribuidora de aço.
Elísio conta que a própria Usiminas induzia a Agência a isso, pois a maioria das empresas não conseguia encomendar um lote mínimo que a empresa comercializava até então. Neste contexto, a aquisição individual de pequenas quantidades de aço diretamente com a Usiminas não era possível e o caminho foi recorrer à Fasal, distribuidora sediada em Belo Horizonte.
A alternativa era a união das empresas do setor metalmecânico para a aquisição conjunta, mas a ideia de associativismo era incipiente e a proposta da central de distribuição foi seguidamente adiada. Elísio ressalta que não houve desistência do projeto, mas sim um adormecimento, tamanhas eram as dificuldades.
Para o presidente da ADI, Elísio Cacildo, o cenário começou a mudar na primeira visita do atual presidente da Usiminas, Wilson Brumer à região, quando reuniu-se com diversos segmentos, inclusive os empresários.
“Nessa reunião o presidente foi informado que a aquisição direta nunca tinha sido viabilizada, o que foi considerado por ele uma irregularidade que deveria ser corrigida”, frisou.
Soma-se a esse interesse do executivo, o empenho do Sindimiva que vislumbrou a possibilidade de ganhos práticos. A distribuição direta de aço prevê desde o fornecimento de chapas para construir caçambas basculantes e navipeças até o aço galvanizado para oficinas de funilaria.
Encarecimento
Elísio Cacildo lembra que ocorria com o aço da Usiminas o mesmo que ocorre com o tomate produzido em Iapu. A fruta atravessa o Vale do Aço ia para o Ceasa em Belo Horizonte e depois voltava para os sacolões da região, implicando em custos com manuseio, depreciação e encarecimento com frete. “No caso do aço esse círculo foi interrompido, reduzindo quatro manuseios, e no mínimo 12% a menos no custo da matéria prima do setor metalmecânico”, assinala.
Além disso, haverá o ganho na segurança da BR-381. Segundo Elísio não é uma solução, mas tem efeitos práticos, pois pelo menos seis carretas deixarão de circular diariamente entre a região e a capital levando a carga siderúrgica. Embora pareça pouco, o dirigente lembra que a iniciativa não deixa de ser importante em uma estrada saturada por acidentes.
“Na terça-feira o ponto de distribuição começou a emitir notas fiscais, no posto montado em Santana do Paraíso. É carga que não precisou rodar pela BR-381. A meta é vender por um preço diferenciado para quem for agregar valor ao aço fabricado em Ipatinga”, ressaltou.
Fonte: Diário do Aço
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