A política brasileira está moralmente podre. O fedor exala da sua prática que piora a cada dia. Embora concebida pelos filósofos gregos para ser o modelo ideal, a democracia brasileira possui falhas estruturais e primárias graves. Isto por que ela não consegue separar o joio do trigo e permite a "qualquer um" o que não deveria ser para qualquer um... Poucas vezes na história do país ela chegou a patamares tão baixos no que diz respeito ao nível dos candidatos. Nem nos tempos da ditadura, via-se tantos absurdos e a corrupção permeando a política como agora.
Contraditoriamente, hoje existe mais mecanismos e instituições de controle que poderiam evitar esses disparates do que em qualquer outro período. Indivíduos bem intencionados e com ideais verdadeiros não conseguem sequer adentrá-la. O modelo não permite, parece feito para atender os mau intencionados. Multiplicam-se os mecanismo de controle, mas a desfaçatez dos grupos que dominam os partidos políticos e o poder é maior, parece um vírus, capaz de se propagar e se transmutar rapidamente, enganando todos e tudo, e nada pode impedi-los de crescer. Trata-se na verdade de um câncer corroendo organismos vivos (as instituições públicas, o parlamento e boa parte do executivo), com o aval do povo...
Dos candidatos, independente de serem jovens ou maduros, alguns inclusive profissionais de carteirinha, quase centenários, não se exige nada além de "ficha limpa", como se honestidade fosse uma virtude e não uma obrigação. Não existe metas, compromissos com a palavra empenhada, nem tampouco pré requisitos. Basta ter dinheiro, contratar um bom marketeiro e fazer o jogo, fingir que é pessoa de bem e interessada nos problemas das massas.
Independente dos absurdos explícitos, que são revelados pela imprensa diariamente, a temporada eleitoral está aberta e com ela uma escancarada operação de compra e venda de apoios e votos (vocação, compromisso, idealismo tornaram-se produtos raros na praça). Vale mesmo é a vitória da campanha a qualquer custo, tudo mais é secundarizado e o voto agora é produto de mercado. Ninguém e nem instituição alguma tem controle sobre o que vai acontecer nos rincões, nas favelas e nas periferias das pequenas, médias e grandes cidades do país.
Neste momento entra em cena a figura do cabo eleitoral e dos marketeiros. Conteúdo, conhecimento de causa, aptidões, vocação, honestidade, boas intenções, nada disso importa. O que vale é o rosto "bonito", nomes criativos e promessas mirabolantes, que ganharão as ruas como se a partir de agora o país inteiro fosse realmente sofrer uma verdadeira transformação. O paraíso surge como num passe de mágica, tudo ficará perfeito com os novos atores. É apenas uma questão de tempo. O limite das responsabilidades já foi ultrapassado. Agora é o vale-tudo em nome da democracia e da liberdade.
Projetos verdadeiros, biografias, ideais razoáveis, não interessam. Tudo está no pregão e o que interessa em última análise é vencer e adquirir o mandato, ter a chance de entrar para o grupo dos que decidirão os rumos da nação. Nessa trajetória vale levar junto os parasitas que vivem dependurados, sem pudor algum, na volúpia do poder, transformando a política numa esbórnia descabida, um disparate sem tamanho, graças a um modelo eleitoral falido e uma "justiça" eleitoral cega, surda, muda e desaparelhada...
José Aparecido Ribeiro
Bacharel em Turismo, Licenciado em Filosofia
MBA em Marketing, Asset Manager
Especialista em transito e assuntos urbanos
Belo Horizonte - MG
CRA MG 0094 94
31 9953 7945
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