A catástrofe no Rio pode servir para uma reflexão importante, tanto para os políticos, administradores públicos, justiça e em especial para os que atuam no âmbito federal pensando, planejando, estabelecendo prioridades para aplicação do dinheiro publico: A questão habitacional e da infra estrutura das cidades brasileiras precisa mudar de lugar na lista de prioridades dos governos. A tragédia no Rio é da política e não das chuvas, poderia ser evitada se as pessoas morassem em lugares mais seguros e organizados, sobretudo os mais pobres. O Estado falhou e permitiu que locais inadequados fossem ocupados, e como estes que vieram abaixo, existem centenas e milhares por todo o país.
O Brasil tem hoje, segundo dados do IPEA, mais de 22 mil favelas e quase 52 milhões de pessoas vivendo nelas de forma desumana e até vergonhosa para o país. A existência de favelas deixou de ser algo abominável, para se tornar algo aceitável e sem solução aparente. Para a maioria dos Cidadãos "incluídos", viver em favelas é desígnio de quem não tem escolha ou malandragem. É importante que se diga que ninguém vive em favelas por opção, mas por falta dela e por não ter renda suficiente que permita a aquisição de moradia em locais decentes. Isso mostra, entre outras coisas, que os programas habitacionais são insignificantes perto do tamanho da demanda e que o assunto vem a tona somente quando acontece catástrofes como essas.
As pessoas não podem continuar vivendo dependuradas em morros e nem tampouco próximas a leitos de rios, beira de estradas e debaixo de pontes. A sociedade precisa cobrar dos responsáveis (políticos e planejadores públicos) ações efetivas para transformar favelas em bairros, onde for possível, através da verticalização, com infra-estrutura e organização mínima, e onde não for possível, transferindo as pessoas para locais adequados, seguros e dignos. São medidas que não podem estar atreladas a renda das famílias, já que elas não tem o suficiente nem para a sobrevivência, na maioria das vezes.
Portanto a parcela mais abastada da sociedade terá que ser convidada a contribuir, abrindo mão de parte de suas riquezas ou mesmo de impostos, assumindo o ônus que foi gerado e é fruto de um modelo concentrador de renda. Vivemos aqui e agora e precisamos viver bem, em cidades organizadas e civilizadas. Não adianta ser a 8 economia do mundo e deixar 1/4 da população vivendo aos lado da porcaria e do esgoto. Países como os EUA, Tailândia, Singapura, Coréia do Sul, Colômbia, Chile, China, Taiwan e outros estão conseguindo resolver a questão habitacional através de soluções criativas e simples, como por exemplo a desoneração da cadeia produtiva da construção civil que é destinada a construção de moradias popular, programas de contrapartida para industriais e empresas que financiarem habitação a baixo custo para seus colaboradores e tantos outros...
Quem sabe até o dinheiro do pré-sal pudesse ser destinado a eliminação de favelas. Soluções existem, não são simples, mas estão no campo da política, precisando que haja vontade e planejamento a longo prazo. Com efeito, a tragédia traz dor e desespero, mas carrega com ela oportunidades importantes de quebrar paradigmas e repensar a organização das cidades, além de corrigir as prioridades do pais e onde o dinheiro público precisa ser aplicado. Repare que o Brasil conseguiu usar mais verbas publicas para ajudar países e povos em situação de calamidade do que as nossas próprias aflições, numa demonstração de que não è por falta de dinheiro só, mas por desentendimento de que primeiro devemos ajudar os de casa e depois os de fora. A Presidente Dilma parece ter percebido a importância do tema e deu sinais de que vai buscar soluções para o problema, o que é louvável.
José Aparecido Ribeiro
Especialista em Assuntos Urbanos
Bacharel em Turismo, filósofo
Belo Horizonte - MG
31 9953 7945
CRA MG 0094 94
Nenhum comentário:
Postar um comentário