Cerca de 400 pessoas participaram do manifesto em prol da reconstrução imediata da rodovia de Minas que mais matou no ano passado. Mesmo com a lentidão do trânsito, motoristas aprovaram a manifestação
VÍVIAN BORGES
O PROTESTO ORGANIZADO pela Univaço contou com o apoio da Polícia Rodoviária Estadual: a distribuição de panfletos e exibição de faixas ocorria no intervalo de paralisação dos semáforos
IPATINGA – Os motoristas que trafegaram pela Avenida Pedro Linhares, trecho urbano da BR-381, em frente à Estação Ferroviária, na tarde desta quarta-feira (3), se depararam com o trânsito lento no local, por volta das 16h. Felizmente, a aglomeração de pessoas e a presença da Polícia Rodoviária Estadual no trecho urbano da estrada, mais conhecida como ‘Rodovia da Morte’, não aconteceu por causa de mais um dos inúmeros acidentes registrados com certa freqüência. Desta vez, a lentidão no tráfego foi organizada com o intuito de denunciar o alto índice de óbitos causados em tragédias ocorridas no trânsito, além de cobrar providências em relação à necessidade de duplicação da via. A manifestação, encabeçada pela Univaço, contou com a participação de cerca de 400 pessoas.
“A adesão ao movimento superou nossas expectativas, visto que só da faculdade conseguimos encher seis ônibus. Mas, vamos deixar claro que nossa luta não irá acabar por aqui. Vamos continuar a cobrar a duplicação da rodovia, além de fiscalizar. Precisamos dar um basta a tantas mortes”, declarou Fernando Silveira, presidente do Diretório Acadêmico da Univaço.
Além de carros de som, faixas e apitaço realizado por alunos da instituição, foram distribuídos panfletos explicando a motivação do manifesto. A distribuição de panfletos e exibição de faixas ocorria no intervalo de paralisação dos semáforos.
“Estamos fazendo a nossa parte que é dar segurança ao local e manter a fluidez do trânsito. Estamos com um efetivo de seis policiais e três viaturas, de forma a conduzir a manifestação de maneira equilibrada e eficiente. Aproveitamos para orientar a toda a população que todo tipo de manifestação e protesto nas vias de responsabilidade da Polícia Rodoviária Estadual pode e deve ser notificado a fim de evitar transtornos futuros”, disse o Tenente Gonçalves, Comandante do Pelotão de Trânsito da Companhia.
Além dos perímetros urbanos da BR-381 em Ipatinga e Coronel Fabriciano, são de responsabilidade da Polícia Rodoviária os limites da BR-458 e BR-116 que desembocam em Ipatinga. A LMG-758 em Belo Oriente e Açucena, a MG-232 em Santana do Paraíso, Mesquita e Joanésia e outras ligações com cidades circunvizinhas à região também são monitoradas pelo grupamento.
Durante o manifesto, diversos motoristas e motociclistas que passavam pela rodovia demonstraram apoio ao movimento.
“Toda e qualquer maneira de cobrar esta promessa de duplicação que já dura mais de 20 anos será bem aceita. É difícil encontrar alguém que não tenha perdido algum parente ou conhecido em algum trecho desta rodovia. Acredito que, somente unida a população conseguirá atingir este objetivo e acabar com tantas mortes”, apoiou o caminhoneiro Marcos Vinicius, 37.
Durante a manifestação, uma equipe do Samu simulou o resgate de uma vítima de acidente de trânsito.
“Corriqueiramente a polícia registra acidentes nas rodovias estaduais e, na maioria dos casos, há vítimas em estado grave ou fatais. Isso traz um sentimento muito ruim. Afinal, estamos lidando com pessoas. Por isso, todas as campanhas de educação no trânsito são válidas”, alertou o sargento Costa, que também dava apoio policial à manifestação.
ESTATÍSTICAS
Segundo dados da Polícia Rodoviária Federal, a BR-381 foi a rodovia que registrou o maior número de mortes por acidente em Minas Gerais em 2010. Foram 334 mortes no ano. A estrada também tem o maior número de acidentes com pessoas levemente e gravemente feridas. Em comparação com os registros de 2009, os números de acidentes e mortos aumentaram no ano passado. Em 2009, a polícia registrou na BR-381 um total de 9.614 acidentes e 280 mortes.
Fonte: JVA Online
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