domingo, 13 de setembro de 2009

2009.09.13 - Acidentes que deixam marcas - O Tempo

Comunidades perto de Caeté protestam todos os meses em busca de soluções

Thiago Nogueira

"Em cada ato, um momento. Em cada momento, um pensamento. Em cada pensamento, uma saudade. Em cada saudade, você." O texto, escolhido por Albert Silva Syrio, era para homenagear o primo, que morreu de câncer. Hoje, porém, estampa um banner com a própria foto de Albert, no pet shop do qual era dono. Aos 25 anos, ele foi uma das seis vítimas do acidente com uma van de estudantes de Caeté, ocorrido há seis meses. Os passageiros voltavam para casa após mais um dia de estudos na capital.

O acidente não pôs fim apenas a vidas de jovens, mas adiou sonhos daqueles que sobreviveram. O comerciante Adahyr Syrio, 28, irmão de Albert, também estava no veículo. No dia da batida, ele saiu praticamente ileso. Mas depois, traumatizado pela saudade dos que se foram, Adahyr resolveu interromper os estudos.

Nem como forma de homenagear o irmão, do qual era colega de classe no curso de geografia e análise ambiental, Adahyr teve forças para continuar estudando. "Perdi a vontade. Fico preocupado de deixar a família. Minha mãe não fica tranquila mais", afirmou.

No caso de Tamires Ângela Silva, 21, que ficou 16 dias em coma após o acidente, um acordo com a faculdade garantiu sua formatura, no início do mês. "Eu fiz provas e trabalhos pela internet", explicou a estudante, que levará para sempre as marcas físicas e psicológicas da tragédia. "Até eles chegarem (em casa), a gente não dorme. A Tamires ficou boa. Mas e os outros que não poderão nem ir mais para a aula?", indagou a mãe de Tamires, Cleonice Lourdes Leite.

Poderia ser apenas mais uma tragédia na BR-381, mas familiares, amigos e comunidades da região resolveram integrar a ONG SOS Estradas Federais para protestar em busca de soluções. Desde então, nos dias 13 de todo mês, eles interrompem a rodovia como forma de protesto. Exclusivamente amanhã, um dia 14, será realizado mais um ato. Dessa vez, em Belo Horizonte.

Medo. Há quase quatro anos, Maria José de Paula, 43, e o marido Helvécio Caetano, 61, moram às margens da BR-040, no trecho conhecido como ribeirão do Eixo. Há três semanas, o filho caçula, de 14 anos, tornou-se mais uma vítima da crueldade das estradas.

"Ele estava indo pegar ônibus para a escola. Era acostumado a atravessar a estrada todo dia e foi atropelado por um caminhão", explicou o pai. Depois disso, eles não chegam nem perto do asfalto.

O sofrimento é comum em quem já perdeu parentes ou amigos nas rodovias. "Quando passo pelo trecho que minha mãe morreu, não tem como não lembrar", contou o radialista Agostinho de Rezende Campos, cuja mãe morreu em 2003.

Fonte: http://www.otempo.com.br/otempo/noticias/?IdEdicao=1418&IdCanal=6&IdSubCanal=&IdNoticia=121274&IdTipoNoticia=1

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