Fotos: Gustavo Andrade/O Tempo e Renato Gervásio![]()
Congestionamento chegou a 40 quilômetros. Mais um acidente: ontem à tarde, Hyundai Tucson ficou destruído
Um acidente envolvendo uma carreta carregada com amônia e um carro de passeio, que deixou uma vítima fatal, ocasionou uma interrupção histórica na BR-381: 30 horas de trânsito completamente parado. A antes apelidada “Rodovia da Morte” agora também pode ser chamada de “Rodovia do Atraso”. O fato foi acompanhado por brasileiros de todas as partes do país por meio de noticiários dos mais variados veículos de comunicação. O acidente aconteceu por volta das 17h de sábado (31 de julho), no quilômetro 434, entre os trevos de Caeté e Ravena. Uma carreta Scania, placas BXE-4050, carregada com amônia, tombou por cima de um Fiat Uno, placas HFN-4144, de Belo Horizonte. O passageiro do veículo de passeio, Ramon Marinho da Silva, 45, morreu na hora. Ele morava em Timóteo e deixa três filhos. O condutor do carro, Adam Carlos de Andrade, ficou gravemente ferido e foi levado para o Pronto Socorro do Hospital João XXIII, em Belo Horizonte. O motorista da carreta, Aroldo Rodrigues Maia, escapou com ferimentos leves. O produto que era transportado pela carreta é altamente perigoso. A amônia é tóxica e, em contato com o ar, se torna gasosa e asfixiante. Havia 24 toneladas do produto no veículo. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) providenciou um bloqueio de um quilômetro nos dois sentidos da BR-381. Técnicos da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) e agentes do Corpo de Bombeiros foram acionados para executar o trabalho de limpeza do local. Como não havia uma empresa de reserva para o recolhimento do produto tóxico e inflamável, a chegada de um veículo capacitado para o transbordo demorou. O caminhão que retirou a substância chegou ao local do acidente no início da tarde de domingo (1º). Os operadores que trabalharam no local tiveram que usar roupas especiais para evitar a intoxicação. A BR-381 só foi liberada à 0h20 de ontem (2). O congestionamento chegou a 40 quilômetros. Durante a paralisação, foram dadas duas opções de desvio aos motoristas. A primeira é uma estrada que liga Caeté a Sabará. O traçado é estreito e perigoso e aumenta a viagem em 40 quilômetros. A segunda é passar por Mariana e Ouro Preto. Seriam mais 100 quilômetros no percurso. Por volta das 15h30 de ontem, a rodovia foi novamente interrompida, dessa vez para retirar o veículo que ficou tombado às margens da 381 depois que a pista foi liberada na madrugada de segunda-feira. A BR ficou fechada até as 17h45, mas não foi possível retirar o veículo. Nova paralisação foi feita ontem à noite para outra tentativa de retirar a carreta.
Rotina
As paralisações na BR-381 têm sido rotina. O assessor de Comunicação da PRF de Minas Gerais, inspetor Aristides Júnior, disse que é impossível calcular quanto tempo a rodovia já ficou paralisada este ano. “São inúmeros acidentes. A PRF não tem qualquer tipo de estatística nesse sentido”, disse o policial rodoviário. No entanto, é possível afirmar que a 381 já ficou mais de 100 horas paralisadas em 2010. Tanto tempo sem trânsito significa perder vidas e também muito dinheiro. A 381 é cortada, todos os dias, por ambulâncias que levam pacientes aos hospitais de Belo Horizonte, mais capacitados e com mais especialidades. A rodovia também é via de acesso para o desenvolvimento. Milhares de caminhões, carretas e veículos comerciais passam pela estrada diariamente para fazer entregas em destinos diversos. Essas duas situações foram citadas pelo presidente da Associação dos Municípios da Microrregião do Médio Piracicaba (Amepi), Raimundo Nonato Barcelos (Nozinho – PDT), prefeito de São Gonçalo do Rio Abaixo, cidade cortada pela 381 e onde há grande número de acidentes. “É importante que continuemos nossa luta pela duplicação. É inadmissível uma carreta tombar e a estrada ficar mais de 30 horas parada. ]
Essa é uma situação que traz transtorno para todos, não só para a gente do Médio Piracicaba. Tem que continuar lutando”, afirmou. Quem também lamentou o ocorrido foi a presidente da Câmara de João Monlevade, Dorinha Machado (PMDB). Ela lidera um movimento pela duplicação da BR-381 na cidade. “Mais uma vez nos deparamos com uma situação dessa. Isso já não acontece mais em todos os fins de semana, mas todos os dias. É um absurdo. E dessa vez o Brasil todo viu. Serve para chamar a atenção das autoridades que, sempre quando vêm à nossa região, chegam de helicóptero. O país todo conheceu uma realidade que a gente vê todo dia”, lamentou Dorinha. Os empresários do ramo do transporte, João Morais, da Expresso Morais, de João Monle-vade, e Carlos Antônio Rodrigues Andrade, da Rodoviário Andrade, de Itabira, são dois dos diversos empresários constantemente afetados pela 381. A empresa de ambos faz entregas com frequência em Belo Horizonte e, muitas vezes, atrasa o serviço por causa de interrupções na rodovia. “Essa estrada, do jeito que está, atrapalha muito o serviço da gente. Várias vezes não consigo cumprir meus compromissos por causa de acidentes e paralisações”, clamou João Morais. “É preciso que providências sejam tomadas logo. Não só por causa das empresas que são prejudicadas, mas também por causa das vidas que são perdidas”, disse Carlos Andrade.
Atraso
O jornalista monlevadense Gilberto Vieira sentiu na pele o efeito da interrupção do trânsito na BR-381. No sábado ele foi ao aniversário de um primo em Belo Horizonte. Gilberto retornaria a João Monlevade no ônibus que deixou a capital à meia noite de domingo. Mas ao chegar em Ravena, deparou com o trânsito completamente paralisado. Foram duas horas parado, até que o veículo em que estava conseguiu retornar para BH. “Os carros menores conseguiam seguir a viagem pela estrada que liga Caeté a Sabará, mas os grandes não. Ou voltavam ou ficavam ali parados”, contou o jornalista. Na Rodoviária de Belo Horizonte a agonia de Gilberto continuou. A empresa que faz a linha Belo Horizonte – João Monlevade não tinha qualquer previsão a respeito de horário de um novo ônibus. Os telefones da Polícia Rodoviária Federal não atendiam, estavam congestionados. “Não tinha notícia alguma”, disse. O jornalista só conseguiu chegar em casa na manhã de ontem. Perdeu dois compromissos que tinha no domingo. Outro que passou por situação difícil na 381 foi o estudante Higor Nunes Carvalho. Ele é natural de Governador Valadares e vinha para João Monlevade para sua primeira aula na Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg). Ele conta que dormiu no ônibus em que estava e quando acordou estava chegando no Terminal Rodoviário de Belo Horizonte. O veículo não teve como seguir viagem e foi para a capital mineira, passando por Ouro Preto e Mariana. “Perguntei ao motorista como ficaria minha situação. Ele mandou que perguntasse no guichê da empresa. Consegui trocar a passagem, mas perdi a aula”, narra Higor, que só chegou em Monlevade por volta das 10h de ontem.
Fonte: Jornal A Notícia
Sempre faço o trecho BH x São Pedro dos Ferros, atualmente passo por Ouro Preto e Ponte Nova para evitar o transito de BH a João Monlevade muito stressante.
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