terça-feira, 10 de agosto de 2010

2010.08.09 - Dnit explica cronograma de duplicação da BR-381 – Diário do Aço

Estudos de engenharia podem ficar prontos antes do esperado. Obra tem custo estimado em R$ 2,5 bilhões e aguarda vontade política.

Alex FerreiraI004985 BR-381: trecho entre Belo Horizonte e Monlevade tem média de 2 curvas por quilômetro

Com alterações

IPATINGA - No debate entre os presidenciáveis transmitido pela rede Band, na sexta-feira (6) ficou claro que saiu das fronteiras mineiras o debate sobre a necessidade da duplicação da BR-381, apelidada sinistramente como “Rodovia da Morte”, tal o índice diário de acidentes. O oposicionista José Serra (PSDB) cobrou várias vezes da candidata governista, Dilma Rousseff (PT), a duplicação do trecho Norte da BR-381. Ao falar da infraestrutura do país, José Serra citou o trecho Belo Horizonte/Governador Valadares, entre as rodovias que não foram duplicadas. "Andar em estradas federais é um perigo público", criticou.

O trecho tem pouco mais de 300 quilômetros de extensão e a sua duplicação representa um desafio para a engenharia, dado o relevo acidentado que corta. Do discurso político à prática, o superintendente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) em Minas, Sebastião Donizete, explica que falar em duplicação da BR-381 é praticamente falar em construir uma nova estrada.

Atualmente, com um traçado com curvas acentuadas em meio às montanhas, o trecho não tem condições de receber nem uma duplicação simples, de uma pista ao lado da outra. “Para você ter uma ideia, entre Belo Horizonte e João Monlevade temos 100 quilômetros de extensão e cerca de 200 curvas, ou seja, 2 curvas por quilômetro”, detalha.

Por isso, acrescenta Donizete, a obra além de duplicar vai fazer a retificação do traçado, para eliminar o máximo de curvas existentes. Para isso, serão necessárias mais de 150 obras de arte (pontes e viadutos) para cortar os vales e deixar o traçado com retas. Donizete destaca, ainda, uma variante de 45 quilômetros, entre Nova Era e São Gonçalo do Rio Abaixo. “É uma obra complexa, pois será uma nova estrada, mas é ela que viabiliza economicamente todo o empreendimento”, assinala.

Engenharia

Em entrevista ao jornalista Eduardo Costa, da Rede Itatiaia de Rádio, nesta segunda-feira, Donizete negou que haja atrasos no atual estágio dos projetos. A proposta da duplicação da BR-381 Norte está na fase de elaboração dos projetos executivos. Segundo Donizete, não há atrasos, pois os contratos dos estudos de engenharia só saíram no fim do ano passado e as empresas estão dentro dos prazos contratuais. Só nessa etapa o governo federal investe cerca de R$ 40 milhões. Outros R$ 10 já foram gastos nos estudos de viabilidade econômica e ambiental da obra.

Sebastião Donizete admitiu que a rodovia deveria ter sido duplicada há pelo menos dez anos, tal a gravidade da situação, hoje considerada uma das mais críticas do Brasil. Mas destacou que o Dnit trabalha com a expectativa do término dos projetos, em dezembro deste ano, talvez até uma antecipação para outubro ou novembro. “Se tudo estiver certo, esperamos que no primeiro semestre de 2011, no máximo no começo do segundo semestre, seja iniciada a duplicação”, frisou. A obra está dividida em dez lotes, dos quais apenas oito estão em andamento.

Questionado se há recursos para a duplicação, de forma a dar segurança para tal afirmação, o superintendente do Dnit em Minas garantiu que a obra está inserida no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A estimativa é que a duplicação da BR-381 Norte custe aos cofres públicos R$ 2,5 bilhões. “Um investimento realmente alto, mas sem dúvida, importantíssimo para a viabilidade do tráfego para a região”, concluiu.

Confira no quadro abaixo os lotes da obra da duplicação da BR-381 e as empresas responsáveis pelos estudos de engenharia em cada um deles:

LOTE 01 – Restauração e melhoramentos
Subtrecho : Entroncamento da BR-116/MG (Governador Valadares) – Acesso Belo Oriente
Extensão: 72,8 km
Empresa responsável: Strata Engenharia Ltda com valor global de R$ 2.031.135,05

LOTE 02 – Duplicação, restauração e melhoramentos
Subtrecho: Acesso Belo Oriente – Entr. MG-320 (para Jaguaraçu)
Extensão: 60,2 km
Empresa responsável: Strata Engenharia Ltda com valor global de R$ 2.410.832,03

LOTE 03 – Duplicação, implantação, restauração e melhoramentos
Subtrecho: Entr. MG-320 (para Jaguaraçu) – Ribeirão Prainha
Extensão: 28,6 km
Empresa responsável: Enecon S.A com valor global de R$ 4.951.975,04

LOTE 04 – Duplicação, restauração e melhoramentos
Subtrecho: Ribeirão Prainha – Acesso Nova Era Sul
Extensão: 18,8 km
Empresa responsável: Consórcio Contécnica/Prodec com valor global de R$ 2.009.448,71

LOTE 05 - Duplicação, restauração e melhoramentos
Subtrecho: Acesso Nova Era Sul – João Monlevade
Extensão: 20,7 km
Empresa responsável: JBR Engenharia Ltda com valor global de R$ 1.622.816,32

LOTE 06 - Duplicação, restauração e melhoramentos
Subtrecho: João Monlevade – Rio Una
Extensão: 33,0km
Empresa responsável: Consórcio Consol/Sotepa com valor global de R$ 3.642.998,31

LOTE 07 - Duplicação, restauração e melhoramentos
Subtrecho: Rio Una – Entr. MG-435 (Caeté)
Extensão: 37,5 km
Empresa responsável: Consórcio Engesolo/Planex com valor global de R$ 3.923.364,68

LOTE 08 - Duplicação, restauração e melhoramentos
Subtrecho: MG-435 (Caeté) – Entr. MG-020
Extensão: 31,4 km
Empresa responsável:
Ecoplan Engenharia Ltda com valor global de R$ 3.249.180,23

LOTE 09 – Implantação e pavimentação de rodovia em pista dupla (variante)
Subtrecho: Entr. BR-381 (Nova Era) – Entr. Acesso J. Monlevade Sul
Extensão: 23,5 km
Sem empresa interessada

LOTE 10 - Implantação e pavimentação de rodovia em pista dupla (variante)
Subtrecho: Entr. Acesso J. Monlevade Sul – Entr. BR-381 (Rio Una)
Extensão: 21,9 km
Sem empresa interessada

Fonte: Diário do Aço

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