terça-feira, 10 de agosto de 2010

2010.08.10 - SOS Rodovia da Morte – Estado de Minas

Maurício Lara - mauricio.lara@uai.com.br

O sentimento de angústia e impotência experimentado por todos que, por uma razão ou outra, são obrigados a trafegar pela BR-381, a Rodovia da Morte, no trecho que vai de Belo Horizonte a João Monlevade, Ipatinga e Governador Valadares, levou à confecção de um abaixo-assinado, via internet. O objetivo é sensibilizar e pressionar autoridades para acelerar o emperrado projeto de duplicação da rodovia.

No cabeçalho da lista, o tom do protesto: “SOS BR-381 – chega de medo, dor e descaso: medo de quem vai, dor de quem fica e descaso das autoridades”. Em poucos dias no ar, o abaixo-assinado, hospedado no endereço www.abaixoassindo.org/abaixoassinado/6719 já ultrapassou a marca de 800 assinaturas virtuais.

Quem quiser, pode deixar, junto com a assinatura, um recado. O tom dos depoimentos traz duas dimensões que chamam a atenção: a revelação do medo que todos têm da estrada e a indignação contra políticos, especialmente os que pedem voto acenando com a bandeira da duplicação, que nunca sai do papel. Como pano de fundo, a dor espalhada entre as famílias, conseqüência maior das tragédias repetidas e anunciadas.

Muitas pessoas falam de suas perdas, como Maria de Fátima Braga, de Caeté: “Compartilho a dor de ter perdido amigos, amigos de meus filhos, filhos de meus amigos. Sabemos que saem de casa, mas jamais temos a certeza que voltarão. Cada acidente é motivo de angústia para nós. Vivemos como se estivéssemos andando numa corda, num precipício.”

Humberto Holt Fernandes, usuário da rodovia, conta que perdeu a mulher em um acidente neste ano. “Já vi inúmeras tragédias e sempre que saio em viagem peço a Deus que me acompanhe por todo o trajeto, pois não bastam a atenção e a direção defensiva.” Sheila Souza Vieira também invoca proteção divina: “Sempre que preciso viajar, rezo para chegar ao meu destino”.

A estudante Thais de Lourdes conta da tensão que vive diariamente, ao sair de João Monlevade para aulas na faculdade em Ipatinga: “Cada dia que subo no ônibus meu coração fica na mão, de tanto medo dessas curvas assassinas”. A conterrânea Isabel Coura Santos Cota também teme as tragédias: “Fico pensando se viverei para ver a BR-381 duplicada e poder desfrutar de uma viagem para Belo Horizonte sem ter a sensação de que aquela poderá ser a minha última.”

O nível de tensão durante os deslocamentos pela estrada faz com que surjam comparações pesadas, como a de Rainilda Lana Fernandes, de São Domingos do Prata: “A viagem de BH a Monlevade mais parece um campo de guerra. Trava-se uma batalha a cada curva, a cada metro, a cada minuto de viagem.”

Outra usuária, Maria Mazarelo de Castro Abreu e Lima, usa o espaço para estimular a participação e a busca de soluções a partir do desgaste provocado pelos engarrafamentos constantes e pelos riscos permanentes de acidentes e tragédias: “Não podemos ficar omissos diante de tanta aberração, sobretudo do descaso de nossas autoridades.”

Os depoimentos falam por si e dão a dimensão da ansiedade dos usuários e seus familiares para que alguma providência seja tomada. Estrada também tem prazo de validade e a BR-381 teve o seu expirado há muito tempo. Nas contas dos organizadores do abaixo-assinado, nada menos que 700 pessoas perderão a vida na rodovia até que ela seja duplicada, isso se a obra terminar em 2015. É muito tempo para esperar e muitas vidas para chorar.

Fonte: Estado de Minas

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