quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Minas lidera o ranking dos estragos em rodovias do país - Hoje em Dia

Temporais já danificaram 33 estradas federais e estaduais, e pelo menos oito estão fechadas ao tráfego de veículos

Maíra Monteiro - Repórter - 19/01/2011 - 11:01

LUCAS PRATES4219832155Operários aproveitam a trégua da chuva para consertar cratera aberta no Km 440 da BR-381

Minas Gerais concentra a maioria dos estragos nas rodovias do país desde o início do período chuvoso. Pelo menos 33 estradas apresentam problemas causados pelos temporais, como queda de barreiras e rompimento de bueiros. O Rio de Janeiro ocupa o segundo lugar na lista (22 rodovias), mas concentra os danos mais graves, principalmente na Região Serrana. Em seguida, aparecem Goiás (21), incluindo o Distrito Federal, e São Paulo (11).

Um dos motivos que levam Minas a ocupar o posto é o tamanho da malha rodoviária do Estado – a maior do país, com quase 35 mil quilômetros em estradas federais e estaduais. O governador Antonio Anastasia anunciou esta semana que vai pedir R$ 250 milhões ao Governo federal para obras de infraestrutura.

Pelo menos R$ 100 milhões serão aplicados na recuperação das rodovias e de 113 pontes que foram destruídas em território mineiro. Além das 22 estradas estaduais que constam do ranking, 51 que já apresentavam problemas, agora agravados pelas chuvas, também devem passar por obras. Oito trechos estão completamente interditados. Em alguns casos, como na MG-252, que liga São Gonçalo do Pará à BR-262, na Região Centro-Oeste do Estado, o desvio chega a acrescentar 30 quilômetros à viagem.

Entre as ocorrências mais comuns estão queda de barreiras, estouro de bueiros e trechos com alagamentos. Segundo a assessoria de comunicação da Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas, devido à necessidade de avaliar cada situação, não é possível prever quando todos os estragos serão reparados.

Uma das prioridades do Governo do Estado é liberar o tráfego nas estradas vicinais, importantes para o escoamento de produtos da zona rural e que, em caso de interdição, podem isolar comunidades. Para isso, está sendo feito um planejamento de ações emergenciais conjuntas entre o Estado e empresas como a Copasa e a Cemig.

Somente 11 rodovias federais que cortam Minas sofreram danos decorrentes das tempestades. Em todos os casos, já são feitas obras coordenadas por empresas contratadas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Os problemas mais comuns são erosões nas pistas.

O trânsito está parcialmente fechado em oito estradas federais no Estado. “Devido às intervenções que já estavam sendo realizadas e à indiscutível melhoria na qualidade das rodovias federais, o impacto das chuvas não foi tão grande como em anos anteriores.

Prova disso é o fato de não termos nenhum caso de interdição total”, afirma o superintendente regional do Dnit em Minas, Sebastião Donizete de Souza.
Na BR-381, na altura do distrito de Ravena, em Sabará (Grande Belo Horizonte), o rompimento de um bueiro abriu uma cratera na pista. Uma das faixas no sentido BH foi interditada, mas deve ser liberada até o próximo fim de semana.

Chuvas comprometem 22 estradas no Rio

No Rio de Janeiro, 22 rodovias passam por avaliações de técnicos e intervenções do Dnit e do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-RJ). Apesar de o número ser menor do que o registrado em Minas Gerais, a gravidade dos casos faz com que as autoridades públicas reforcem os trabalhos na Região Serrana.

Somente na BR-495, que passa por Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, são 12 pontos de deslizamentos. O trânsito está totalmente interditado e a liberação das pistas está prevista para a semana que vem. Pelo menos 21 rodovias em Goiás e no Distrito Federal sofreram danos durante o período chuvoso. A maioria das interdições foi provocada por queda de pontes.

Em São Paulo, sete rodovias sob responsabilidade do Governo do Estado foram fechadas ao tráfego devido aos estragos trazidos pelos temporais. Quatro estradas administradas por concessionárias tiveram que passar por reparos. O Dnit não registrou problemas nos trechos federais que cortam cidades paulistas.

Investimentos de menos

A extensão da malha rodoviária não é a única explicação para o grande número de estradas mineiras que enfrentam transtornos por causa das chuvas. A histórica falta de investimento nos traçados e na ampliação de faixas de rolamento também influencia no ranking que coloca Minas como o campeão nacional em prejuízo nas rodovias.

Segundo José Aparecido Ribeiro, especialista em trânsito e presidente da ONG SOS Rodovias, a boa condição das estradas paulistas seria o motivo do menor número de danos em comparação com outros estados. “Há 20 anos, o Governo de São Paulo uniu forças com o Governo federal para reconstruir as maiores rodovias do Estado. Hoje, elas seguem padrões de segurança internacionais, como a adoção de pistas duplas e limites de inclinação”.

A última pesquisa feita pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) sobre as condições das rodovias brasileiras confirma que São Paulo é o estado com a melhor malha rodoviária. As estradas paulistas avaliadas como ótimas chegaram a 61,7%.

O levantamento também apontou que as dez melhores ligações rodoviárias do país estão sob gestão concedida, ou seja, foram privatizadas. Para José Aparecido, a atuação de empresas privadas influencia na manutenção dos trechos e na resolução rápida dos problemas. “Acho um absurdo existir pedágios se levarmos em conta o tanto de impostos que o cidadão brasileiro paga. Mas, se essa for a única alternativa para evitar mortes, então que se pague”, afirma o especialista.

A CNT classificou como péssimas e ruins 27,5% das rodovias mineiras. O resultado foi o pior da Região Sudeste.

A pesquisa mostrou ainda que 91,5% das estradas do Estado têm pista simples. “Em Minas, as rodovias foram construídas há 50 anos, para não durar. Mesmo com os investimentos feitos nos últimos tempos, não há como evitar estragos causados pelas chuvas sem repensar todas as estruturas”, diz José Aparecido.

O Dnit investiu, no ano passado, em Minas, R$ 1,1 bilhão, totalizando 5 mil quilômetros de rodovias com melhorias. Já o Governo do Estado destinou, desde 2006, por meio do Programa de Recuperação e Manutenção Rodoviária do Estado de Minas Gerais (ProMG), R$ 923 milhões. O dinheiro serviu para recuperar 4.787 quilômetros de rodovias estaduais.

Por meio do Programa de Pavimentação de Ligações e Acessos Rodoviários aos Municípios (ProAcesso), foram liberados R$ 3,4 bilhões para a pavimentação de 4.499 quilômetros de estradas, permitindo melhorar o acesso a 179 municípios mineiros.

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Fonte: Hoje em Dia

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