Malha rodoviária. Quase 70% das rodovias em Minas Gerais estão em situação péssima, ruim ou regular
Maior parte das vias boas e ótimas é administrada por concessionárias
RAPHAEL RAMOS
Cristiano Martins
Apesar da evolução nas condições gerais das estradas mineiras, quase 70% das rodovias pavimentadas do Estado ainda estão em situação péssima, ruim ou apenas regular. A conclusão é da Pesquisa CNT Rodovias 2010, divulgada ontem pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT).
Entre maio e junho deste ano, pesquisadores analisaram um total 90.945 km, que incluem toda a rede federal pavimentada e também a malha constituída pelas principais rodovias estaduais do país. Em Minas Gerais, foram avaliados 13.931 km.
O levantamento tem o objetivo de identificar as deficiências e registrar os pontos críticos da malha rodoviária brasileira. A pesquisa foi baseada em três critérios: pavimento (condição da superfície, buracos, ondulações e acostamentos), sinalização (faixas, placas de velocidade e visibilidade) e geometria da via (pista simples ou dupla, faixa adicional de subida e condições de pontos e viadutos, entre outros).
Em Minas Gerais, as principais alterações em relação à avaliação realizada no ano passado foram o aumento das estradas consideradas ruins (de 16,1% para 22,3%) e boas (de 14,4% para 22,4%), além da queda nas rodovias consideradas regulares (de 50,1% para 40,9%). Houve ainda redução de 7,5% para 5,2% nas vias classificadas como péssimas e de 10% para 9,2% nas consideradas ótimas.
Administração. Outra conclusão da pesquisa é a grande diferença entre a qualidade das vias administradas por concessionárias e pelo poder público. Cerca de 87% das estradas concessionadas foram classificadas como boas ou ótimas, enquanto, entre as rodovias geridas pelos governos, apenas 32,4% tiveram a mesma avaliação.
Outras conclusões da pesquisa
Economia. Uma rodovia em bom estado pode resultar em até 5% de economia de combustível em relação a uma estrada com estado de conservação inadequado.
Velocidade. Rodovias com buracos reduzem a velocidade média em até 8,5 km/h, enquanto trechos com pavimentos totalmente destruídos levam a uma redução de até 31,8 km/h.
Pontos críticos. Neste ano, houve redução no número total de pontos críticos (buracos grandes, erosão na pista, pontes caídas e quedas de barreira): de 193 ocorrências em 2009 para 109 em 2010 (queda de 43,5%).
Média Nacional. 14% das vias estão ótimas, 26,5% boas, 33,4% regulares, 17,4% ruins e 8% péssimas. Em 2009, eram 13,5% ótimas, 17,5% boas e 45% regulares. Ruins e péssimas eram 16,9% e 7,1%, respectivamente.
Ligações rodoviárias mineiras em lados opostos do ranking
A Pesquisa CNT de Rodovias 2010 mostra ainda duas realidades mineiras opostas. Segundo o estudo, o conjunto de trechos que ligam São Paulo (SP) a Uberaba, no Triângulo Mineiro, foi classificado como a 5ª melhor ligação rodoviária do país. Enquanto isso, o grupo de estradas entre Curvelo, na região Central do Estado, e Ibotirama (BA), ocupa apenas a 100ª colocação no ranking, de um total de 109 ligações.
Para essa classificação, foram avaliados, por ordem de qualidade, os principais trechos regionais que ligam territórios de um ou mais Estados. Curiosamente, o conjunto melhor classificado é administrado por uma concessionária, enquanto as estradas mineiras no outro oposto do ranking são geridas pelo poder público. (CM/RR)
Fonte: O Tempo
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