JOSÉ SANA
MG-434, entre Itabira e o trevo da BR-381
Moradores estão apavorados com aumento de tráfego pesado e alguns pensam até que a transformação das MGs 129, 434 e MGC-120 em estrada federal pode melhorar tudo
JOSÉ SANA
De cada dez caminhões de carga pesada que vêm de Belo Horizonte pela BR-381, seis dobram à esquerda no Trevo de Itabira, tomam a MG 434, depois a 129 e, mais à frente, entram na MGC-120 (Itabira a Nova Era). Esse o levantamento que DeFato Online fez com o auxílio de moradores da região, do dia 20 a 29 de maio. A tendência do tráfego, mostrada por caminhoneiros que escolheram um novo rumo para o Vale do Aço e Governador Valadares, foi explicada por motoristas, que alegam menor altitude e menos curvas, e comentada também por moradores de quatro localidades — Ponte dos Machados, Chapada, Barro Branco e Barreiro. A soma desses fatores e de outros mais gerou um pré-projeto de consultoria encomendado pela Prefeitura de Itabira, que se encontra, no momento, em poder do ministro dos Transportes Alfredo Nascimento.
E as comunidades, o que dizem? A princípio imagina-se que condenariam a iniciativa da transformar rodovias estaduais numa grande BR. Tal foi a surpresa da reportagem ao abordar dezenas de pessoas, algumas que se identificaram pelo nome, outras que preferiram ficar no anonimato. Na Ponte dos Machados, município de Bom Jesus do Amparo, os moradores estão simplesmente apavorados com o que está acontecendo. O DER-MG, que comanda a obra de melhoria na rodovia, empreendimento sob a responsabilidade da SPA Engenharia, instalou quebra-molas e sonorizadores na região. Agrada com os primeiros e deixa o povo atônito com a barulhada feita por caminhões, principalmente vazios, ao balançar nos segundos.
“De repente, tudo mudou aqui para pior”, afirmou a moradora e comerciante Maria Marta Rocha Gonçalves. Ela e o marido, Eduardo Raimundo Fonseca, se declaram atônitos, primeiro porque têm um filho, de sete anos, “que perdeu a liberdade de viver”. Depois, mostrando os quebra-molas de terra que fizeram na área marginal, condenam os veículos que por aí passavam na tentativa de se livrar das saliências na pista instaladas pelo DER.
Do outro lado da rodovia existe um templo da religião católica e um campo de futebol, além de outra casa comercial. Mas quem mora do lado contrário, principalmente idosos e crianças, fica praticamente proibido de fazer a travessia. Com essa explicação, o casal justifica que se for duplicada e tomadas as providências normais que o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) toma em locais habitados, acredita Maria Marta e Eduardo que haverá melhora. O morador R.C. L. fez um comentário irônico e perguntou: “Aqui não é a 381? Pois a nossa paz já se foi há muito tempo”.
Num intervalo das entrevistas, a reportagem fez uma ligação telefônica para o coordenador da Regional de Itabira do DER-MG, engenheiro Álvaro Eduardo Goulart, que informou o seguinte: “Vamos instalar, em menos de três meses, sensores eletrônicos (radar), tal como fizemos no Barro Branco e na Chapada”. Todos ficaram felizes com a informação, mas pedem que sejam retirados os sonorizadores. “Esses pequenos quebra-molas parecem inofensivos, mas não deixam ninguém dormir por aqui”, alega Maria Marta.
Do lado da rodovia, o comerciante Dalton Motta Fonseca deu a informação sobre o radar e a respeito da presença de engenheiros do DER que trataram detalhes da tradicional Festa de São João, que se realizará no dia 23 de junho. A fogueira já está sendo erguida. A família que comanda a mercearia e a lanchonete, composta ainda por Douglas, Dênio e Darlene, sempre participa da organização do evento que atrai milhares de pessoas da região.
Dalton disse que a BR-381 “já está desviada” para a região, até Nova Era. “O que falta mesmo é a duplicação e que seja bem-vinda”, afirmou à reportagem. Mais à frente, outro comerciante, dono da Comercial Calisto, José Raimundo Fonseca, disse que a perspectiva de melhorias para todos está clara. “Com uma rodovia federal, haverá mais desenvolvimento por aqui”, acrescenta, otimista.
Na Chapada, município de Itabira, a gerente de posto de combustíveis, Maria Aparecida Mendes Buitrago afirmou ter ouvido muitos comentários sobre o aumento do tráfego, mas não tinha ouvido falar na duplicação passando nas MGs. Sem medo de acidentes, ela informou que, de um tempo para cá, tem havido mais atenção à segurança. Além dos quebra-molas, o DER instalou um radar fixo. Robson Félix da Silva, que há quatro anos é frentista, tem convicção das mesmas esperanças de Aparecida e de outros moradores.
O bairro Barro Branco parece tranquilo com a instalação do radar. Por causa disso o morador C.A.S. não arrisca aparecer. “Quero paz para mim, minha família e o trânsito; tudo melhorou muito e, se for duplicada essa rodovia, pode melhorar mais ou até piorar”, arriscou.
No Barreiro, todavia, os moradores estão já reivindicando sensores eletrônicos. “Aqui já tem uma escola, crianças atravessam o asfalto toda hora, os quebra-molas estão insuficientes”, disse J.O.M.S., que não faz objeção à mudança de trajeto, mas reafirma estar preocupado com a segurança dos pedestres. “Fiquei sabendo que um novo radar será instalado na entrada da Itabira a Nova Era. Queremos um aqui também, pois faz mais falta”, encerrou.
Fonte: DeFato Online
uma possivel mudança nesta duplicação jogará por terra anos de luta de todos que trafegam pela BR 381 em São Gonçalo/Joao Monlevade/Bela Vista/Nova Era. Sugiro que Itabira lute pela duplicação ser interferir no processo de conquista destas cidades. Seria racional e menos bairrista.
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