Tentem vislumbrar uma adolescente curiosa, remexendo jornais velhos em busca de detalhes sobre uma época, – nem tão distante assim, mas – de fato, primitiva. Estamos em 2030 e a garotinha, munida de apetrechos high-tech, daqueles que dispensam fios e projetam imagens multidimensionais no ar, é incansável em sua investigação. Ela não se conforma, tampouco consegue compreender como era concebível, no passado, que carretas e motocicletas se cruzassem em sentido contrário, dividindo uma única rota, sinuosa e traiçoeira. Registros de um tempo em que se derrubavam sucessivos recordes de colisões entre veículos e de mortes, atrasavam-se as viagens e acumulavam-se prejuízos. Mesmo assim, décadas correram sem que nada fosse feito pela BR-381 – até que veio a duplicação.
Pode parecer utopia, mas, ao que parece, já preparamos para as gerações vindouras uma realidade bem diferente daquela com a qual nos acostumamos a conviver. No fim do mês passado, em audiência pública ocorrida no Vale do Aço, ficou estipulado que até 2017 estarão concluídas todas as obras de duplicação da estrada hoje conhecida como Rodovia da Morte. O que não faltam são sugestões, vindas de todos os lados e motivadas pelos mais diversos interesses, para o novo desenho do chão.
Quem lida diariamente com o asfalto e seus inconvenientes não tem mais dúvidas sobre o destino preferido para o traçado. Partiu dos carreteiros e caminhoneiros, que conhecem cada curva perigosa como a palma da própria mão e sentem no bolso cada real economizado com combustível, uma das alternativas para obra em um dos trechos mais macabros da rodovia, que parte do Médio-Piracicaba. DeFato ouviu alguns desses trabalhadores in loco e preparou uma matéria especial sobre a proposta de Itabira para a duplicação da pista que liga sua região ao Vale do Aço.
Caberá aos detentores do poder e do dinheiro definir qual é a hipótese mais viável para a gigantesca empreitada. A sociedade, cujo único interesse é a proteção à vida, espera por uma solução, seja ela qual for. Nesse caso, as próximas gerações ficarão agradecidas, pois o caos nas estradas, para eles, não será mais do que coisa do passado.
Matheus Espíndola, editor da Revista DeFato
Fonte: DeFato Online
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