domingo, 9 de outubro de 2011

Monlevade dá adeus a Hilário da Floricultura

Nathália Melo/Arquivo JAN  capa1Hilário Moutinho era famoso no ramo de floricultura em Monlevade

O empresário, Hilário Moutinho Roberto, 44, proprietário da Floricultura São José, morreu após se envolver em um grave acidente na noite da última terça-feira (4), no Km 375 da BR-381, na “Curva do Mel”, em São Gonçalo do Rio Abaixo. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), Hilário retornava de Belo Horizonte onde havia ido buscar mudas de plantas acompanhado de sua namorada Lidiane Aparecida da Silva, 30. O casal estava em um Fiat Strada, placas HHS-0649, quando foi atingido por uma carreta carreta bitrem, placas CUC-6697, de Foz do Iguaçu (PR), que formou um “L” na pista. O veículo era conduzido por Leandro Rocha Silva, 27, que ainda tentou fugir do local, mas foi surpreendido por um motociclista que presenciou o fato. Com o impacto, o automóvel em que estava o empresário rodou na pista e atingiu uma outra carreta, placas NYS-0340, de Candeias (BA), que era conduzida por Divino José do Nascimento Araújo, 53, e seguia no sentido João Monlevade. A PRF informou que chovia forte no momento do acidente e que o excesso de velocidade da carreta bitrem pode ter provocado a tragédia. Além disso, o veículo que pertence à empresa Duramax não tem permissão para trafegar na “Rodovia da Morte” após as 20h. Uma equipe do Serviço Voluntário de Resgate (Sevor), duas viaturas do Corpo de Bombeiros de Itabira e uma de Nova União estiveram no local para auxiliar no resgate de Lidiane Aparecida que ficou presa às ferragens e foi levada com ferimentos graves ao Hospital Margarida. Já o corpo de Hilário, que também ficou preso às ferragens, demorou cerca de 50 minutos para ser retirado das ferragens, já que o Corpo de Bombeiros teve que cortar o veículo durante o resgate. O perito Érico Matos, da Polícia Civil, esteve no local e, após realizar os trabalhos de praxe, liberou o corpo de Hilário para o Instituto Médico Legal (IML) de Itabira. A rodovia ficou fechada nos dois sentidos por cerca de três horas, o que provocou um congestionamento de, aproximadamente, cinco quilômetros. Antes da liberação, porém, o Corpo de Bombeiros jogou serragem na via para absorver o óleo derramado pelos veículos. O corpo de Hilário só chegou a Monlevade na tarde de quarta-feira (5) e foi levado para o Velório Municipal onde familiares e amigos prestaram as últimas homenagens. O empresário, que deixou dois filhos, um menino de 10 e uma menina de 15 anos, foi enterrado por volta das 9h de ontem (6) no Cemitério do Baú. Já Lidiane foi submetida a uma cirurgia e permanecia internada até o fechamento dessa edição. Mas, segundo informações de amigos, a mulher não corre risco de morte e chegou a ir ao velório acompanhando da equipe médica para dar seu adeus a Hilário. Muito emocionada, ela foi levada de volta ao hospital. Há duas semanas, Hilário deu uma entrevista para o caderno Variedades do A Notícia. O empresário contou sobre sua paixão pelas flores, sobre os desafios enfrentados e os projetos para o futuro. Projetos esses interrompidos por mais uma tragédia que teve como protagonista a temida “Rodovia da Morte”. No último dia 13 de agosto, Hilário recebeu o troféu de décacampeão do evento 100 Melhores, pela Floricultura São José. O empresário também foi um dos responsáveis pela decoração do evento, além de apoiador da festa que é produzida pelo Jornal A Notícia.

Homenagens

“O que temer? Nada. A quem temer? Ninguém. Por que? Porque aqueles que se unem a Deus obtêm três grandes privilégios: onipotência sem poder, embriaguez sem vinho e vida sem morte”. Essas foram as últimas palavras deixadas por Hilário na última segunda-feira (3), em sua página de relacionamento do Facebook. Vários amigos usaram a Internet para prestar uma última homenagem ao empresário. Mensagens de apoio aos familiares, agradecimentos por seu profissionalismo e companheirismo lideraram as principais postagens. Por outro lado, muitos manifestaram o sentimento de revolta contra a “Rodovia da Morte” que continua tirando a vida de tantos monlevadenses. O médico e músico Aggeu Marques pediu desculpas ao amigo (Hilário) por não ter conseguido “mudar a estrada” a tempo de protegê-lo. “Mais uma perda para colocar na conta do Governo Federal”, frisou. Sentimento de indignação também manifestou o contador Delci Couto. “Em um pequeno espaço de tempo tivemos duas grandes perdas, a Geralda Machado (Ex-diretora colégio Cesp), e agora o Hilário, prova de que essa duplicação está atrasada. Acho que basta! Sábado vou ter que pegar essa BR e não sei se vou voltar, é uma incerteza sempre. Quantas vidas ainda teremos que perder?”, concluiu.

Fonte: Jornal A Notícia

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